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Importância do exercício resistido em idosos

Com quedas progressivas nas taxas de mortalidade e principalmente das de fecundidade, estão lançadas as bases demográficas para o envelhecimento de uma população. Em alguns países, esses eventos ocorreram de maneira gradual, de modo que essas sociedades tiveram oportunidade de desenvolver algum tipo de estratégia de enfrentamento diante das demandas de uma população mais velha. Outros países, grupo em que se inclui o Brasil, enfrentaram uma redução mais rápida desses indicadores e não tiveram a mesma oportunidade para desenvolver as referidas estratégias.

O envelhecimento, por sua vez, é fator de risco para o desenvolvimento de situações como a cascata degenerativa das fibras musculares, que está implicada na gênese da vulnerabilidade e da perda funcional, podendo ser associada a vários processos patológicos. Dentre tais processos, podemos citar o aumento do tecido adiposo intermuscular que leva a uma maior comorbidade, uma vez que aumenta    a probabilidade de internações hospitalares, de invalidez (dificuldade de deambular, deficit de força muscular, limitação do potencial para aerobiose muscular, etc) e aumento da resistência insulínica periférica; a síndrome metabólica, que está associada a um maior risco cardiovascular (aterosclerose), a obesidade, a hipertensão arterial sistêmica e a dislipidemia; a osteoporose (elevado risco para fraturas) e a sarcopenia (alterações na marcha, desequilíbrio, quedas e fraturas).

A prática regular de exercício resistido  está relacionada com uma melhora no controle das entidades patológicas supracitadas, bem como daquelas eminentemente relacionadas à senilidade e à resposta inflamatória, talvez,  por um melhor controle da ativação de fatores imunológicos anti- inflamatórios. Ressalte-se o fato de que esse tipo de exercício estaria relacionado a uma redução da perda de matriz óssea   e a uma diminuição no processo de atrofia senil muscular e, assim, diminuiria a incidência e a prevalência de quedas em idosos, decorrentes da sarcopenia e da osteoporose (sítios comuns de fratura pós-queda: vértebras, quadril, rádio distal; cuja incidência aumenta a partir dos 60 anos).

Considera-se exercício resistido uma atividade física que envolva um estímulo muscular para deslocar certa quantidade de massa, acelerando-a a partir do repouso e englobando um ou mais grupos musculares. No tocante a esse intento, alguns fatos deveriam ser observados com cautela ao empregar-se essa modalidade de atividade a indivíduos idosos no intuito de promover um trabalho de ganho de força muscular e incremento de matriz óssea:

  1.  a resposta depende do trabalho de cada grupo muscular;
  2. a carga a ser abarcada pelo sistema osteomuscular deve ser maior que aquela habitualmente suportada a fim de que a resposta trófica ocorra de maneira diretamente proporcional ao aumento de carga;
  3.  a remineralização óssea é tão duradoura quanto o estímulo trófico;
  4.  os melhores resultados serão vistos nos indivíduos mais osteopênicos/osteoporóticos;
  5. todos tem um limite de resposta a uma atividade física e, eventualmente, atingirão o seu máximo.

Contudo, os estudos, até o momento, indicam que a atividade física através do exercício resistido seria benéfica para indivíduos idosos que padecem com as alterações patológicas associadas ao envelhecimento do sistema osteomuscular (sarcopenia, osteoporose e artrose). Admitimos que, independentemente da idade de início das atividades, do subgrupo populacional ou das variáveis clínicas e funcionais apresentadas, haveria um ganho, a longo prazo, em termos de saúde pública. Haveria redução do risco associado a quedas, melhoria na qualidade de vida, na expectativa de vida livre de limitações e maior liberdade e independência na execução das atividades da vida diária.

Poderíamos estabelecer a prática do exercício resistido para a população idosa como parte de uma “terapia”, pois há um saldo positivo de evidências, mesmo que os diversos programas de exercícios ainda estejam em construção através de ensaios para definir a melhor forma de realização.

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